UNIVERSIDADES SÉNIORES: ACONTECIMENTOS, TRABALHOS, ETC.

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Mai 15

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Estórias e Contos Tradicionais Portugueses

 

Pedaços de História

(Dados fornecidos por Paulo Alcobia Neves)

   Águas Belas é o nome dado a uma das freguesias mais antigas e mais industriais do Concelho de Ferreira do Zêzere.

     São muitos e diversificados os atributos que por ali podemos encontrar: gente afável e trabalhadora, indústrias de cerâmica e madeiras, mantos deliciosamente verdes, planaltos repletos de rochas, eucaliptos e pinheiros, abundante terra de agricultura, múltiplos casarios de características especificas, pomares, vinheiros, excelente gastronomia, fontenários, ribeiros e lençóis de água por tudo quando é sítio. É ainda de salientar as nascentes naturais que se vêem no cimo dos cabeços, em locais onde ninguém esperaria a sua existência, e será talvez por isso que o povo as venerava, resguardando-as em pequenas ermidas eu caiavam de branco, enfeitavam, juncavam e faziam bonitos e vistosos arraiais na altura dos Santos Populares. Enfim, zona verde, zona de beleza natural, de tranquilidade e sossego, centro de uma região de floresta, de flores, de fruta, um prazer para os sentidos!

     É também em Águas Belas que existem muitos e valiosos marcos históricos, que fazem dela um dos mais nobres históricos cantinhos de todo o concelho.

     Em 1836 existiam na região quatro concelhos mais pequenos: Pias, Dornes, Águas Belas e Ferreira do Zêzere.

     Após esta data e através da reforma administrativa, estes concelhos foram extintos, á excepção do de Ferreira do Zêzere, que após várias reformas se tornou sede do concelho que abarcou os restantes.

     Mas, remontam aos primórdios da nacionalidade as notícias que nos chegam do território que hoje compreende esta Freguesia: El-Rei D. Sancho I, vendo em Pedro Ferreira um excelente servidor de seu pai e dele próprio e homem distinto nas Batalhas de Monte- Mor, sentiu o dever de amar, defender e amparar não só a ele mas também á sua mulher e filhos, doando-lhe em 1190 uma herdade em vale de Orjais, entre a Ribeira de Criveiro e o Carril do Soto, nas imediações de Águas Belas.

     Mais tarde, seria este ilustre habitante da nossa querida Freguesia a doar em testamento o Foral á Vila Ferreiro, antecessora da actual sede ao concelho.

     Segundo António Baião, habitou Pedro Ferreiro uma quinta, “A Escusa”, que mais tarde tomaria a denominação de Quinta da Alegria, que se situa no sopé da encosta e que pelo poente sustenta Águas Belas, podendo ver-se ali um lindo e riquíssimo Brasão constituído por lavores de cantaria, um coração e as respectivas armas; brasão esse que se perpetuou ao longo dos tempos, a assinalar a estadia dos diversos Barões que muito se distinguiram em Armas e em Letras.

   Foi dos primeiros o destemido Francisco Sousa Godinho, que pela sua bravura alcançou posição de destaque nas milícias napoleónicas, pelas quais fora raptado quando tinha apenas onze anos. Contam os anciãos do lugar que este patrício, a quem mais tarde alcunharam de Franciscão, estivera em França em 1822, onde fizera fortuna durante as campanhas, regressando quando tinha vinte e dois anos, sendo então reconhecido por um sinal que tinha nas costas, o que lhe deu direito á herança de seu pai, entretanto falecido. Ainda segundo a tradição, o seu fulgor era tal que constituiu três matrimónios, e entre legítimos e bastardos contavam-se-lhe trinta e sete filhos.

     Também sobre as invasões francesas sabe-se que, quando em 1810 as tropas francesas invadiram Portugal, houve um destacamento que estivera aquartelado na Venda da Serra e, segundo contava uma senhora idosa de seu nome Flavina de Alcobia, estes cometiam permanentemente desacatos e exageros de toda a ordem que muito desagradavam ao povo.

     Tal situação de desaforo, por se tornar insuportável, provocara tão grande descontentamento que levara as pessoas a unirem-se e a travarem com as tropas francesas uma batalha, que teria tido o seu embate no lugar da Pinheira, onde morrera muita gente.

     Outra família muito importante, á qual está ligado o riquíssimo historial de Águas Belas, é a dos Álvares Pereira que na pessoa de Rodrigo Álvares Pereira, irmão do Condestável, herdara em 1356, por oferta do Escudeiro Vassalo do Infante D. Pedro, o morgado de Águas Belas velha, situado defronte da Igreja Matriz.

     Por casamento, associaram-se estes Pereiras com os Sodrés, família á qual, dizem alguns genealogistas, pertenceria Vasco da Gama por linha materna, e que foram senhores do dito Morgado até ao século XIX.

     Em 1758 existia entre esse nobríssimo solar e a Igreja Matriz um passadiço que dava a uma tribuna situada por de cima da porta principal da Igreja, onde o Fidalgo mercador Capitão Duarte Sodré pereira e sua família assistiam aos ofícios Divinos.

     Esse nobríssimo Solar, assim como a Igreja Matriz, desapareceram no século passado, mas ali bem próximo podemos ainda hoje admirar o Pelourinho da antiga Vila, onde sobressai a Cruz Floreada dos Pereiras, virado de frente para a pequena Capelinha de culto privado que foi pertença dos Senhores destas terras.

     É ainda de salientar que, contrariamente a muitas linhagens que mais não fazem do que olhar aos feitos dos seus antecessores, sem olhar ás suas desgraças, os Sodrés Pereira foram, dentro da sua categoria, gente empreendedora que no país e no mundo souberam prestigiar o seu nome e a sua terra. Sendo justo realçar a figura do Capitão Duarte Sodré Perreia, distinto governador geral, capitão de várias embarcações e fortalezas e, ao seu tempo, um dos maiores mercadores mundiais.

     Outro marco histórico com imensas tradições, e também pertencendo a Águas Belas, foi, mais tarde, a Estalagem dos Vales. Edificada em 1885, e que se situava á esquina da rua que passa junto da escola das Basteiras, á direita da chamada curva do ferrador, no mesmo edifício onde funcionava a “Mala Posta”, ou seja, a casa onde se rendiam os cavalos que transportavam os mensageiros e onde estiveram hospedadas pessoas ilustres da vida nacional, como o Actor Taborda, que se encontrava em gozo de férias quando em 1896 fundou em Cernache o Teatro que tem o seu nome; o Rei D. Carlos, quando vinha para fazer as suas bem conhecidas caçadas ou como foi o caso para a inauguração da estrada de Tomar para a Sertã, mais propriamente da velha ponte do Vale da Ursa submersa pela barragem do Castelo do Bode; e Alfredo Keil, aquando das suas estadias em Águas Belas, Dornes e Paio Mendes. Durante uma das quais viria em Fevereiro de 1890 a compor a pauta da Portuguesa para orquestra. Fora dali que ele se deslocara a Lisboa a fim de se encontrar com Henrique Lopes de Mendonça e lhe pedir para fazer a letra que depois viria a ser proibida pela Família Real quando em Janeiro do ano seguinte o Movimento Republicano local fez uma manifestação no Porto. Sendo só após esse acontecimento, mais propriamente em 1911, oficializada como Hino Nacional.

Essa estalagem viria mais tarde a ser pertença de um casal meu familiar. Tratava-se de uma tia-avó materna de nome Maria Flores, que comprara essas instalações a uma tal Senhora Ana Rodrigues para o seu marido exercer como ferrador. Profissão que o tornara bem conhecido na região, não só através do seu ofício, como também pelos tratamentos que aplicava á ciática e pelas sangrias que fazia aos animais para os curar de determinadas doenças do tempo.

     Ainda hoje esse local é conhecido pela Curva do Ferrador, encontrando-se ali ainda as instalações e o banco onde ele trabalhava.

     Falámos anteriormente do desaparecimento da antiga Igreja Matriz de Águas Belas. Porém, as igrejas envolvem história e contêm tradições que prendem a atenção do povo. Assim, a actual Igreja de Águas Belas, que substituiu a velha Igreja Matriz, foi mandada construir pelo Senhor Conde de Burnay. Este Senhor precisava dos votos dos aguabelences para ser eleito deputado, e então mandou construir junto á Sede da Freguesia a Igreja para os cativar e para que o elegessem.

     Essa Igreja contém um enorme tesouro. Trata-se de um inigualável Custódia dourada com uma cruz de diamantes. Peça de alto valor religioso e de ourivesaria.

 

Ditos, Ditados e Provérbios Portugueses

 

A chuvinha pela Ascensão

Vem-nos trazer muito pão.

 

Sugestão de Culinária

 

Cozido

 

     Coze-se um pé de porco, chispe, orelha, toucinho entremeado e carne de vaca, com grão de bico demolhado de véspera.

     Quando estiver quase cozido, juntam-se uma moura de sangue, uma farinheira previamente picada para não rebentar, uma morcela de arroz, um chouriço, um frango e uma cebola com dois ou três cravinhos.

     Retire as carnes e o grão. E passe o caldo por um passador antes de o pôr novamente ao lume, pra nele cozer, cabeças de nabo, cenouras, couve lombarda, molhinhos de feijão verde e batatas.

     Retira-se um pouco de caldo e faz-se um arroz seco. Cortam-se as carnes e serve-se tudo numa travessa.

 

 

Poesia

 

Poema

Dedicado a Águas Belas aquando da comemoração dos seus oitocentos anos

 

Anos

muitos anos,

oitocentas são as velas!

Como é bom ver-te

assim jovem,

assim linda,

Águas Belas.

Tens a Senhora da Graça

a abençoar teus caminhos,

a encher de pergaminhos

aquele que por ti passa;

tens fontes cristalinas

muita verdura nos prados,

filhos,

muitos filhos,

a quererem grandes cuidados!

Outeiros,

a Varela,

Vale Fundeiro

a Portela,

Bela Vista,

Besteiras,

Venda da Serra,

a Camarinha…

Ai terra,

ai terra minha!

Foi em ti

que eu nasci

num dia lindo de Verão.

 

Depois…

fui por lá

por muito longe!

Vi

Cidades

muitos Mares

multidões

gentes diferentes.

 

Ai terra minha!

Ai meu irmão!

 

Vivam, eles:

ricos

nobres.

Mas, deixem-me

aqui,

onde está meu coração.

                                             

                                     Sá Flores

 

 

Sugestão de Fim de Semana / O que visitar na minha Cidade?

 

Vai à Fava!

 

De 1 a 31 de maio não perca oportunidade de saborear os melhores pratos confecionados com esta leguminosa, desde entradas, sopas, pratos principais a sobremesas nos 10 restaurantes e 7 estabelecimentos de Tapas&Petiscos aderentes.

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Foto da Semana

 

Alunos e professores, na sala do Senado do Palácio de S. Bento- Assembleia da República

 

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publicado por IDADE MAIOR às 14:03

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